Acervo Araguari Atlético Clube

Consideradas como uma das equipes pioneiras do futebol feminino no Brasil, a equipe do Araguari Atlético Clube, cidade de mesmo nome localizada à 585 km de Belo Horizonte, Minas Gerais, foi notícia na conhecida revista O Cruzeiro em 28 de fevereiro de 1959. A matéria intitulada o “GLAMOUR” USA CHUTEIRAS chamou a atenção nacional ao revelar um dos raros clubes de futebol com representação feminina que se apresentava publicamente em um período em que, mulheres, estavam desaconselhadas – para não dizer proibidas – de jogar esse esporte.

Desde 14 de abril de 1941, o decreto-lei 3.199 criado pelo Estado Novo noticiou que “(…) às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, para esse efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país (…)”. A década anterior, marcada pela popularização do futebol entre as camadas sociais mais pobres, também estimulou que grupos de mulheres aprendessem as regras e se aventurassem a jogar bola. O ano de 1939, por exemplo, foi marcado por esparsas notícias de equipes femininas jogando em algumas capitais do Brasil, inclusive na inauguração da iluminação do campo do estádio do Pacaembu em 1940.

Os anos que se sucederam acabaram por desestimular mulheres, meninas e equipes que em algum momento se esforçaram para participar dessa prática esportiva e consequentemente romper paradigmas. Mesmo sem haver conhecimento da proibição, as consequências do decreto foram notadas na inexistência de ligas, clubes e campeonatos para essa modalidade. A clandestinidade do futebol feminino também aprendeu a sobreviver na década de 1950: por vezes era apresentado como um show artístico (ora por vedetes, ora por atletas) ou mesmo como uma partida beneficente.

O Araguari surgiu nesse contexto, quando a direção do Grupo Escolar Visconde de Ouro Preto propõe ao clube a realização de uma partida beneficente contra os atletas do seu maior rival, o Fluminense Futebol Clube, com o intuito de arrecadar dinheiro para o colégio. A proposta chegou aos ouvidos de Ney Montes, um dos diretores do Araguari, e o mesmo propôs a realização de uma partida entre mulheres.

Quiçá por ingenuidade, suas participantes e dirigentes almejavam profissionalizar a modalidade. Promoveram amistosos entre outras equipes que também permaneciam na clandestinidade e ganharam as páginas dos jornais e revistas. A ousadia dessas mulheres acabou por encerrar precocemente a história da equipe. Alguns dizem que por pressão da igreja local, outros por recomendação da Confederação Brasileira de Desportos, a CBD.

 A historiadora e mineira Teresa Cristina Montes Cunha foi a responsável por reorganizar a memória e os acervos dessas mulheres precursoras do dito esporte da nação. Parte desse material pode ser visto na edição do vídeo Clubes e Campeonatos na sala Dança do Futebol na exposição Visibilidade Para O Futebol Feminino no Museu do Futebol.

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Correio do Paraná – 13/06/1959
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O Estado de SP. – 04/06/1959
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O Estado de SP. – 29/09/1959
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O Globo – 1959
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O Estado de SP. – 09/05/1959

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