Acervo Grasiele Botona Garai

Popularmente conhecida pelo sobrenome Garai, Grasiele Botona Garai faria parte da geração de jogadoras de futebol que despontaram na modalidade por muito pouco não conquistaram um Mundial ou uma medalha de ouro nos Jogos Olímpicos. Hoje, atletas como Cristiane, Marta, Bagé, Andrea, com trinta e poucos anos, compartilham maturidade e muita experiência em campo.

Garai morreu a caminho de um treino em 2001 com apenas 18 anos. Após ter combinado de pegar sua chuteira com uma colega de futebol na frente do condomínio onde morava, acabou atingida por um tiro durante um assalto. Nesse período, Garai jogava pelo Grêmio de Porto Alegre e representava a equipe de futebol da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

A porto-alegrense cresceu no bairro de Humaitá e aos oito anos, estimulada pelo pai Adilson Gomes Garai, começou os primeiros passos e dribles no esporte bretão. A brincadeira logo se transformou em uma possibilidade para galgar algo mais sério, ou até profissional. Do clube de várzea na cidade de Canoas – o Clube Grêmio Niterói- passou a atuar na equipe de futsal do Sport Club Internacional de Porto Alegre. Em pouco mais de um ano, trocou as quadras pelos campos e mudou-se para a equipe rival, o Grêmio.

No Grêmio permaneceu por aproximadamente três anos e ganhou campeonatos na cidade e um título Estadual. A oportunidade também lhe rendeu visibilidade e acabou convidada a mudar para São Paulo e representar a equipe do Uni Sant’anna, filiada a Sociedade Esportiva Palmeiras na época. Os sete meses de experiência na nova cidade lhe renderam em 1999 o título do Brasileiro Universitário e um Campeonato Paulista, e em 2000, o Bicampeonato Paulista Universitário, Bicampeonato dos Jogos Universitários Paulista, o Troféu São Paulo Juvenil e a Copa Topper Paulista de Futebol Universitário.

O retorno para o Grêmio foi marcado pela fatalidade que encerrou precocemente uma carreira de persistência e conquistas. Garai passou 27 dias em estado grave no Hospital de Clínicas de Porto Alegre até falecer em 17 de Fevereiro de 2001. Hoje é lembrada pelos familiares e amigos que cruzaram com ela na sua breve trajetória no futebol feminino. Diferente de outras memórias reveladas por outras pioneiras no projeto Visibilidade Para O Futebol Feminino no Museu do Futebol, a história de Garai é uma homenagem diferente: uma história curta e nem por isso menos importante uma vez que nos ajuda a conhecer melhor as personagens do futebol feminino no Brasil. Seu acervo nos faz pensar onde essa atleta estaria se ainda estivesse por aqui.

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