Acervo Silvia Regina de Oliveira

Nascida em Mauá, São Paulo, Silvia Regina de Oliveira é filha de um torcedor fanático pela Juventus. Mesmo sem nenhum time preterido, Silvia passou a acompanhar o pai durante os jogos na Rua Javari e com apenas 16 anos decidiu conhecer melhor as regras do futebol matriculando-se no curso de arbitragem em 1980. Fez o curso pela Liga de Futebol de Mauá e entendia que essa formação lhe auxiliaria em uma futura carreira de jornalista esportiva, pois entendia que um bom jornalista ao mínimo deveria conhecer as regras de futebol. Não contava que em pouco tempo mudaria de ideia e se tornaria árbitra de futebol, atuando como bandeirinha em seu primeiro jogo dois anos mais tarde. Em 1985, fez o curso de árbitros pela Federação Paulista de Futebol tornando-se apta a dirigir jogos oficiais da Entidade.

Silvia começou apitando jogos de futebol de várzea, dente de leite, empresas, sindicatos, regionais e mais tarde jogos oficiais de futebol feminino. Passaram-se duas décadas para que a juíza assumisse jogos oficiais masculinos da primeira divisão do Campeonato Paulista e do Brasileiro. Em 2001 passou a integrar o quadro internacional de árbitros da FIFA posto que perdurou até a jubilação na carreira como árbitra ao final de 2007.

No início de sua carreira foi difícil fazer da arbitragem uma “profissão”, pois trabalhava esporadicamente e não era difícil encontrar a frase “sou professora por profissão e árbitra por hobbie” nas dezenas de entrevistas dadas por Silvia Regina reunidas no seu acervo pessoal. A pioneira fez graduação em Educação Física e especialização como técnica de futebol. Por anos deu aulas desse esporte para crianças, e na maioria das vezes, meninos pela prefeitura de Santo André.

Com o passar dos anos Silvia Regina foi conquistando um espaço considerável no mundo da arbitragem. Após as duas décadas de jogos amadores, perseverou e teve a primeira oportunidade para apitar um jogo entre profissionais na Federação Paulista de Futebol em 1999, partida no lendário campo do Jabaquara A.C. contra a equipe de Comercial da cidade de Registro. A partir daí seus anos foram de pioneirismos e progressão.

Em 2001 apitou a abertura do Paulistão Mogi Mirim x São Paulo e neste Campeonato no dia 4 de março, comandou um jogo inusitado entre a S.E. Palmeiras e A.A. Internacional de Limeira. Jogo empatado em seu tempo normal era necessário haver um vencedor, então eram cobrados tiros penais e ambas as equipes acertavam todos. Silvia teve de pedir para que fossem acesos os refletores do Parque Antártica, pois já estava anoitecendo e, inclusive neste jogo o goleiro Marcos converteu o único gol de sua carreira. Por fim a Inter de Limeira conseguiu desempatar e ganhar pelo placar inédito de 13 x 12.

Em 30 de Junho de 2003 foi a primeira árbitra a apitar o Campeonato Brasileiro da série A, comandando um quarteto feminino de arbitragem, fato nunca antes presenciado no futebol masculino profissional em todo o mundo. A partida foi Guarani 0 x 1 São Paulo no estádio Brinco de Ouro da Princesa em Campinas. Fez clássicos do futebol nacional e internacional como São Paulo x Corinthians e França x EUA. Também foi a única árbitra a dirigir jogos da Copa Sulamericana e a representar o país em Mundiais como o da China, Rússia, Portugal e Jogos Olímpicos de Atenas 2004, onde foi pré-selecionada para apitar a final se o Brasil não se classificasse.

Atuou em mais de 1.000 jogos em toda sua carreira e em 6 de dezembro de 2007 ao ser jubilada, recebeu uma condecoração honorifica chamada de “Grão Colar da Ordem Nacional do Mérito Desportivo” logo prosseguindo em sua missão na arbitragem tornando-se instrutora capacitada pela FIFA.

Praticante de uma atividade onde se predomina o universo masculino e atingindo metas que poucos árbitros atingiram, por vezes suas conquistas pioneiras foram menosprezadas e/ou ocultadas, revelando ainda no século XXI a intolerância de parte da sociedade para a igualdade dos gêneros.  Teve ações em campo dramatizadas e desfiguradas atendendo a interesses para a polêmica, dando origem a má fé, nunca se repassando ao mundo as realidades dos fatos tendo como exemplo mais latente um chute a gol de um jogador da equipe do C.A.Sorocaba onde árbitra, árbitro assistente e torcedores tiveram a nítida impressão que a bola havia ultrapassado a linha de meta sendo assim consignado o gol, não importando qualquer fato que viesse a seguir, pois apesar dos protestos, o gol já havia sido marcado.

Nós do Museu do Futebol, homenageamos Silvia Regina de Oliveira com sua foto que está presente na sala Copas do Mundo desde a inauguração do museu em 2008 e em 2015 fez parte do vídeo Pioneiras na sala Dança do Futebol. Agora sua coleção pessoal, inteira digitalizada para o projeto Visibilidade Para O Futebol Feminino, também se encontra disponível para consulta e pesquisa através do nosso Centro de Referência (CRFB).

 

Nascida em Mauá, São Paulo, Silvia Regina de Oliveira é filha de um torcedor fanático pela Juventus. Mesmo sem nenhum time preterido, Silvia passou a acompanhar o pai durante os jogos na Rua Javari e com apenas 16 anos decidiu conhecer melhor as regras do futebol matriculando-se no curso de arbitragem em 1980. Fez o curso pela Liga de Futebol de Mauá e entendia que essa formação lhe auxiliaria em uma futura carreira de jornalista esportiva, pois entendia que um bom jornalista ao mínimo deveria conhecer as regras de futebol. Não contava que em pouco tempo mudaria de ideia e se tornaria árbitra de futebol, atuando como bandeirinha em seu primeiro jogo dois anos mais tarde. Em 1985, fez o curso de árbitros pela Federação Paulista de Futebol tornando-se apta a dirigir jogos oficiais da Entidade.

Silvia começou apitando jogos de futebol de várzea, dente de leite, empresas, sindicatos, regionais e mais tarde jogos oficiais de futebol feminino. Passaram-se duas décadas para que a juíza assumisse jogos oficiais masculinos da primeira divisão do Campeonato Paulista e do Brasileiro. Em 2001 passou a integrar o quadro internacional de árbitros da FIFA posto que perdurou até a jubilação na carreira como árbitra ao final de 2007.

No início de sua carreira foi difícil fazer da arbitragem uma “profissão”, pois trabalhava esporadicamente e não era difícil encontrar a frase “sou professora por profissão e árbitra por hobbie” nas dezenas de entrevistas dadas por Silvia Regina reunidas no seu acervo pessoal. A pioneira fez graduação em Educação Física e especialização como técnica de futebol. Por anos deu aulas desse esporte para crianças, e na maioria das vezes, meninos pela prefeitura de Santo André.

Com o passar dos anos Silvia Regina foi conquistando um espaço considerável no mundo da arbitragem. Após as duas décadas de jogos amadores, perseverou e teve a primeira oportunidade para apitar um jogo entre profissionais na Federação Paulista de Futebol em 1999, partida no lendário campo do Jabaquara A.C. contra a equipe de Comercial da cidade de Registro. A partir daí seus anos foram de pioneirismos e progressão.

Em 2001 apitou a abertura do Paulistão Mogi Mirim x São Paulo e neste Campeonato no dia 4 de março, comandou um jogo inusitado entre a S.E. Palmeiras e A.A. Internacional de Limeira. Jogo empatado em seu tempo normal era necessário haver um vencedor, então eram cobrados tiros penais e ambas as equipes acertavam todos. Silvia teve de pedir para que fossem acesos os refletores do Parque Antártica, pois já estava anoitecendo e, inclusive neste jogo o goleiro Marcos converteu o único gol de sua carreira. Por fim a Inter de Limeira conseguiu desempatar e ganhar pelo placar inédito de 13 x 12.

Em 30 de Junho de 2003 foi a primeira árbitra a apitar o Campeonato Brasileiro da série A, comandando um quarteto feminino de arbitragem, fato nunca antes presenciado no futebol masculino profissional em todo o mundo. A partida foi Guarani 0 x 1 São Paulo no estádio Brinco de Ouro da Princesa em Campinas. Fez clássicos do futebol nacional e internacional como São Paulo x Corinthians e França x EUA. Também foi a única árbitra a dirigir jogos da Copa Sulamericana e a representar o país em Mundiais como o da China, Rússia, Portugal e Jogos Olímpicos de Atenas 2004, onde foi pré-selecionada para apitar a final se o Brasil não se classificasse.

Atuou em mais de 1.000 jogos em toda sua carreira e em 6 de dezembro de 2007 ao ser jubilada, recebeu uma condecoração honorifica chamada de “Grão Colar da Ordem Nacional do Mérito Desportivo” logo prosseguindo em sua missão na arbitragem tornando-se instrutora capacitada pela FIFA.

Praticante de uma atividade onde se predomina o universo masculino e atingindo metas que poucos árbitros atingiram, por vezes suas conquistas pioneiras foram menosprezadas e/ou ocultadas, revelando ainda no século XXI a intolerância de parte da sociedade para a igualdade dos gêneros.  Teve ações em campo dramatizadas e desfiguradas atendendo a interesses para a polêmica, dando origem a má fé, nunca se repassando ao mundo as realidades dos fatos tendo como exemplo mais latente um chute a gol de um jogador da equipe do C.A.Sorocaba onde árbitra, árbitro assistente e torcedores tiveram a nítida impressão que a bola havia ultrapassado a linha de meta sendo assim consignado o gol, não importando qualquer fato que viesse a seguir, pois apesar dos protestos, o gol já havia sido marcado.

Nós do Museu do Futebol, homenageamos Silvia Regina de Oliveira com sua foto que está presente na sala Copas do Mundo desde a inauguração do museu em 2008 e em 2015 fez parte do vídeo Pioneiras na sala Dança do Futebol. Agora sua coleção pessoal, inteira digitalizada para o projeto Visibilidade Para O Futebol Feminino, também se encontra disponível para consulta e pesquisa através do nosso Centro de Referência (CRFB).

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